sábado, julho 08, 2006

ICONOGRAFIA DO CANGAÇO

Marcus Ottoni


“Apesar de eu não ter jogado a Copa do Mundo, estou com o pescoço duro de olhar para o gol para ver se a gente marcava e não marcamos.”
Lula



Iconografia da resistência do povo de Alexandria ao bando de Lampião

Em dois momentos, quando da entrada do bando de Lampião no Estado do Rio Grande do Norte, o chefe quadrilheiro fez valer sua experiência como chefe de cangaço, evitando deliberadamente confrontar-se com a resistência que foi organizada.

A passagem dos cangaceiros em Alexandria foi desviada propositalmente, a fim de evitar consequências funestas, como em Belém do Rio do Peixe, no mês de maio de 1927, o que atrasou a marcha em mais de um mês. A resistência em Alexandria, organizada pela briosa e destemida família Oliveira, assim como a efetivada em Mossoró, também perfaz referência brilhante à bravura potiguar, embora não tenha havido confronto em razão de Lampião ter ponderado sobre o que o esperaa em Alexandria.

O segundo desvio proposital dos cangaceiros foi em Caraúbas. O “rei do cangaço” conhecia a fama de quem havia estruturado a resistência. Tratava-se tão somente do “ Coronel” Quincas Saldanha, o “gato vermelho” da expressão sisuda e respeitosa proferida pelo próprio Virgulino Lampião.

Atordoados com a fama perversa de Virgulino Ferreira da Silva e seus cabras, os jagunços do “Coronel” Quincas Saldanha iniciaram forte tirtoteio, a esmo, cujo erro foi notado imediatamente pelo experiente sertanejo, observando que os disparos estavam sendo feitos apenas de um lado. Quincas Saldanha ordenou cessar fogo e notou que estava certo. Lampião tinha desviado a rota para Pedra da Abelha, onde aprisionaria o “Coronel” Antônio Gurgel. A esperteza do chefe dos cangaceiros era uma das razões para o “sucesso” que obteve em vinte e dois anos de lutas no cangaço.

Em Alexandria lembraram-se de eternizar a valentia daqueles que pegaram em armas para obstacular as ações ensandecidas dos cangaceiros. Uma fotografia rara e inédita, de propriedade do senhor José do Patrocínio de Oliveira Maia, natural de Catolé do Rocha (PB), residente no presente da cidade de Mossoró (RN), é a prova iconogáfica do empenho valoroso que a família Oliveira efetivou, organizando frente de combate, a qual, conforme pode-se verificar no importante registro iconográfico, estava decidida e irresoluta.

A necessidade de fomentar obstáculo a Lampião se dava em virtude da forma tresloucada como o bando vinha se comportando desde quando cruzou a fronteira com a Paraíba. Em Cantinho do Feijão (PB) (hoje município de Santa Helena), o bando cometeu verdadeiros atos de vandalismo.

O senhor José do Patrocínio, conhecido por todos por Sinô Maia, guardou a relíquia com todo zelo, principalmente em virtude de que na fotografia aparece o avô do dono da iconografia rara e inédita. O combatente chamava-se José Garcia, estando assinalado na fotografia, como forma do neto demonstrar carinho ao valente sertanejo. Sinô Maia residiu muito tempo na fazenda cachoeira, em Brejo do Cruz (PB), servindo ao Dr. Fábio Mariz, na profissão de vaqueiro, durante décadas.

Sinô Maia não soube informar os nomes dos outros combatentes, nem a autoria da foptografia. Apenas guarda de recordação há muitos anos. Na fotografia, conforme pode-se notar na mesma, indentifica-se a bandeira do Brasil como pano de fundo, envolvendo simbolicamente o grupo da resistência de Alexandria na legalidade.

No âmbito histórico-iconográfico considero que o registro fotográfico da resistência organizada em Alexandria tem a mesma importância que as fotografias perpetuadas por Raul fernandes em seu clássico opúsculo por título “A marcha de Lampião – assalto a Mossoró”.

Nenhum documento sobre a arrogante invasão do bando de Lampião ao território potiguar pode ser desprezada. O valor de uma fotografia rara e inédita sobre o tema, é incomensurável, visto que temos de relatar de todas as formas possíveis às gerações presentes e futuras a grandeza da bravura do povo potiguar, sobretudo mossoroense, que resistiu galhardamente a um dos mais absurdos atos de agressão a seres humanos, a maioria indefesa, à lei e à ordem no Rio Grande do Norte.

Qualquer documentação inédita que tenha ligação com o cangaço deve ser valorizada, principalmente em razão de que a importância do fenômeno social ocorrido nas caatingas nordestinas traduz a essência da busca pela compreensão da dimensão regional de uma forma holística.

José Romero Araújo Cardoso



As cotas e o Estatuto da Igualdade Racial

Dá pena em ver pessoas letradas se submeterem às pressões de um patrulhamento ideológico fraudulento que convence, no grito, representar o pensamento majoritário do povo brasileiro. Desde quando iremos corrigir as injustiças da escravatura rasgando a Constituição?

É em nome da Constituição-Cidadã, beijada pelo pranteado Ullysses Guimarães, que devemos aprofundar a discussão sobre os projetos de lei de cotas raciais no ensino superior e o Estatuto da Igualdade Racial, inspirados em propostas da Fundação Ford e ótimas para os Estados Unidos, porém péssimas para o Brasil.

Infelizmente, faz-se necessário tomar-se de coragem para denunciar que a política das cotas e o Estatuto, aparentemente defensores de direitos de negros e de índios, trazem no seu bojo pesados desequilíbrios estruturais ameaçando objetivamente os princípios democráticos conquistados às custas de lutas seculares.

Essas propostas imediatistas e estreitas circulam no Congresso Nacional, iludindo os desavisados ao fazer crer que, se aprovadas, solucionarão o problema de acesso de negros e índios na universidade e nos cargos bem remunerados do mercado de trabalho. Representam, entretanto, uma fratura social causada pela renúncia ao princípio da igualdade de todos perante a Lei.

O imediatismo se reflete na pressa em aprovar os dois projetos e sua estreiteza obscurece o verdadeiro objetivo a ser atacado, a pobreza geral e crescente que atinge igualmente brancos, índios e negros. Essa situação de inferioridade social atinge paritariamente todos os pobres sem nenhuma distinção de cor da pele, prevalecendo apenas a condição comum de miserabilidade.

Está na cara de qualquer cidadão bem-intencionado que a tornando obrigatória a reserva de vagas para negros e índios nas universidades federais a Lei de Cotas provoca uma dupla preocupação: primeiro, é uma ameaça real à qualidade do ensino superior, desnivelando-o; e, segundo, desonera a promoção do mérito acadêmico consagrado universalmente.

Quanto ao Estatuto da Igualdade Racial, devemos reconhecer que se trata de uma bomba acionada por controle remoto para o futuro. Os danos que acarretará são inomináveis, a partir da classificação racial oficial dos cidadãos. E, com essa divisão, propõe cotas de acesso ao serviço público e estabelece benefícios para empresas privadas que adotem as cotas raciais para contratar empregados.

Vai além essa barbaridade ao prever que 20% dos cargos comissionados do Governo Federal deverão ser preenchidos exclusivamente por afro-brasileiros. Tal exclusão dos brancos esforçados, originários das classes pobres demolirá por certo o Estado Brasileiro.

Instituindo legalmente o racismo nas escolas e na administração pública, o País adotará uma sociedade heterogênea, com cidadãos de primeira, segunda e até terceira classes, porque deixará de fora além dos brasileiros brancos pobres, os emigrantes porventura fracassados, latinoamericanos, orientais e africanos, além de incentivar minorias sexuais, como os homo e bisexuais, a exigir tratamento igual.

A futurologia nacional espelhada nos projetos das cotas e do Estatuto, se nos depara como o apartheid da antiga África do Sul, jogando por terra a utopia da igualdade e justiça sociais.

Miranda Sá

por Alma do Beco | 6:51 AM


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