domingo, agosto 23, 2009

SANTA CRUZ

Marcus Ottoni


A Folha obteve há três semanas a informação sobre o encontro (Lina/Dilma) e o pedido.

Leonardo Souza e Andreza Matais, Folha de 9 de agosto 2009


[Baldo+antigamente.jpg]

Antoniel no rastro de Sesyom

Sua avó, puta de estrada
Sua mãe foi fêmea minha.
A sua raça é safada
Desde a quinta geração
Seu avô foi um cabrão
Sua avó, puta de estrada
Sua filha, amasiada
Prostituta uma netinha
Uma irmã que você tinha
Esta pariu de um criado
Seu pai foi corno chapado
Sua mãe foi fêmea minha.
(Moysés Sesyom)
Pense numa mulher fuleira
Tua mãe é minha boy!
És filho de chocadeira,
nasceste num cangerê,
tua irmã ganha michê
— pense numa mulher fuleira! —
a tia, puta rampeira,
só fode virando os zói,
teu pai é corno que dói,
a filha embuchou dum padre,
um viado é teu cumpadre,
tua mãe é minha boy!
(Antoniel Campos)



A Santa Cruz da Bica

Manoel Procópio de Moura Júnior, procurador, advogado e escritor


Lamentavelmente os jovens de hoje não tiveram a alegria e o sorriso espontâneo dos "flertes" acontecidos nas festas populares da cidade do Natal, particularmente, na festa realizada no dia 03 de maio, data em que se celebra a chantação da Santa Cruz da Bica, no Baldo, próximo ao prédio da Cosern.

Na década de 1950, sendo morador do bairro da Cidade Alta, inúmeras vezes passei por aquela relíquia sem me dar conta da sua importância histórica. A Santa Cruz da Bica tem sua gênese na fundação da cidade quando duas cruzes foram cravadas para demarcar os limites da Cidade do Natal.

Uma foi colocada no extremo norte, na ladeira que leva ao bairro da Ribeira, próximo ao prédio da Ordem dos Advogados do Brasil, secção do Rio Grande do Norte, na Rua Junqueira Alves, que à época ficou conhecida como Rua da Cruz. Depois, em março de 1888, a rua passou a se chamar Cons. João Alfredo, permanecendo até março de 1896, quando recebeu o nome Jun queira Aires que a identifica hoje.

A outra foi plantada no extremo sul, à margem do Rio Tiçuru, que deu de beber à cidade, no início do século, por isso também chamado Rio da Bica, hoje Rio do Baldo, ficando o assim demarcados os limites da cidade Noiva do Sol, como se referia Câmara Cascudo à Cidade do Natal.

A primeira cruz desapareceu com o tempo, a segunda fincada perto do rio do Baldo, foi posteriormente transferida para uma parte mais alta ficando, com o tempo, esquecida entre as árvores de um bosque. Na segunda metade do Século XIX, os irmãos Trajano, Lopo e Claudino de Melo, foram à colina cortar madeira para construção de casa, e encontraram a cruz escondida entre as árvores.

Os três irmãos, juntamente com vários conhecidos, a retiraram do local e a levaram para o espaço em que se encontra hoje. Na data de 03 de maio, alguns fiéis iniciaram um terço ao lado da cruz, mesmo sem a presença de um padre. A partir de sta iniciativa litúrgica a celebração passou a atrair muitos devotos, tornando-se uma festa popular.

Recordo-me daquele artefato histórico instalada na confluência das ruas Gonçalves Ledo, Voluntários da Pátria e Santo Antônio, ornado com fitas coloridas. Tive a alegria de participar de vários festejos onde após as preces ali realizadas, uma banda enchia o ambiente de musicalidade. A mocidade degustava guloseimas e exercitava namoricos, enquanto no céu se escutava o pipocar dos fogos de artifícios.

Naquela época, residiam nas vizinhanças daquele patrimônio cultural as famílias de Luiz Marcelino, Sergio Santiago com suas filhas Zélia e Lélia, Luiz Tavares, Dona Urcy e seus filhos, Odúlio, Maneco, "Cabo Zé", Carlinhos e Luciene (esta casada com João Medeiros Neto), todos sempre presentes nas festividades da Santa Cruz da Bica já que os moradores daquele quarteirão e adjacências participavam efetivamente das manifestações ali rea lizadas.

Algumas autoridades municipais tentaram preservar aquele monumento, no entanto, as intempéries do tempo acabaram por destruir aquela relíquia histórica, existindo nos dias de hoje, na pequena praça ali erigida, um cruzeiro que guarda alguns fragmentos da peça original.

Esta situação fez com que as manifestações populares daquele logradouro fossem gradativamente ficando no esquecimento, no entanto, aquele relicário, nunca deixará de ter a sua importância para a Cidade do Natal, porque em qualquer tempo, por mais incúria que exista, a Santa Cruz da Bica é um pedaço da história da Cidade do Natal.



Ficção

Leonardo Sodré

Jornalista

Ele acordou diferente. Estava com o rosto calmo, tranqüilo como ela nunca viu antes em décadas de convivência. Durante anos trabalharam muito para alcançar o poder maior da República e ele enfrentava desafios diários que o deixavam cada vez mais irritado e envelhecido. Ela pensou: como é difícil ter poder...

- Sabe amor – ele disse -, ontem tive um sonho que parecia realidade. Conversei com um anjo que me cobrou uma tal de isenção no caso da funcionária da Receita Federal que informou ter a ministra pedido que fosse apressado o caso da investigação do filho daquele senador.

- Foi mesmo? O que o anjo pediu?

- Ele pediu que eu investigasse a questão e colocasse tudo em pratos limpos. Segundo ele, se eu fizer isso volto a ser visto como o um homem acima de qualquer suspeita, como há muitos anos, quando comecei a querer ter o mandato máximo da Nação. Ele disse que se eu fizer isso, dou uma guinada de 360° e passo a ser admirado no mundo inteiro... Vou embora tomar as providências recomendadas pelo embaixador do Céu. E saiu apressado para embarcar no helicóptero.

Quando chegou ao seu gabinete, no 4º andar do palácio que o acolhia, mandou chamar o melhor agente da Polícia Federal do país, sem mesmo consultar o seu ministro de justiça. Não queria ouvir conselhos de ninguém. Para ele, que chamou a atenção de todos os funcionários pela expressão bondosa e platina do rosto, bastava apenas ter no coração o conselho do anjo.

Quando o agente chegou ele traçou em poucas linhas, diante de apenas uma secretária o que desejava:

- Assista às fitas de segurança dos últimos três meses do ano de 2008, verifique a placa do carro que trouxe a funcionária, bem como o modelo, nome do motorista e hora em que foi requisitado, mande verificar na agenda da ministra nomes de casais que vieram ter alguma audiência com ela – a funcionária da Receita disse que ficou na ante-sala com um casal -, interrogue a secretária da ministra, que segundo a funcionária foi quem a recepcionou e verifique, também, nas filmagens de segurança, os dias em que a ministra veio trabalhar de xale, pegue o depoimento do encarregado do estacionamento dos fundos do palácio, enfim, faça uma investigação completa para descobrir se a funcionária esteve mesmo com a ministra.

Ah! E veja também se o senador, parente ou algum assessor dele esteve aqui para falar com a ministra...

A secretária que estava ao lado dele fazendo anotações suava e mostrava toda a palidez de uma surpresa sem fim. O agente da Lei procurava manter-se rijo, como todo agente deve ser, mas por dentro um turbilhão de pensamentos o corroia. Era admirador do mandatário e via na sua ação uma iniciativa de estadista que iria mudar o rumo do país e consolida-lo como homem probo. Nunca imaginou que ela estava sendo alvo da misericórdia de Deus.

Quando todos saíram, os cochichos pelos corredores e gabinetes do palácio eram muitos. Não demorou e a notícia vazou para toda a cidade e, em minutos, para todo o país. Jornalistas e caminhões transmissores de TV ao vivo já estavam, em poucos minutos, diante do palácio esperando a oportunidade de falar com ele, enquanto as principais emissoras davam detalhes da reunião com o agente da Lei.

Ele continuava tranqüilo, sozinho no gabinete e refletindo sobre as providências que havia tomado sem dar a mínima atenção a alguns documentos que aguardavam para receber a sua assinatura e a uma reunião que teria com alguns ministros, que já estava atrasada. Coçava a barba enquanto pensava na intervenção divina, naquela luz que o envolveu e que entrou por todo o seu ser. O interfone toca. Era um dos médicos do palácio, daqueles que privam de sua amizade:

- Senhor, a sua secretária disse que o senhor poderia estar com febre alta e delirando...

O médico se surpreendeu com a calma do chefe maior, quando respondeu, sorrindo:

- O senhor chegou tarde doutor, eu já estou curado.

por Alma do Beco | 9:23 AM


Hugo Macedo©

Beco da Lama, o maior do mundo, tão grande que parece mais uma rua... Tal qual muçulmano que visite Meca uma vez na vida, todo natalense deve ir ao Beco libertário, Beco pai das ruas do mundo todo.

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A imagem de fundo é do artista plástico e poeta Eduardo Alexandre©

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